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terça-feira, 21 de maio de 2013

O medo de ousar e a submissão ao capital


Por Paulo Kliass
Extraído de Carta Maior

A continuidade da política de ampliação da base parlamentar do governo no Congresso Nacional parece não ter limites. Para quem não acompanha a política brasileira em seu cotidiano, a situação pode parecer fantasmagórica. Imagine-se um indivíduo que tenha passado uns 12 anos fora do circuito e retornou apenas anteontem à superfície. Soube que Lula finalmente conseguiu ser eleito Presidente da República em outubro de 2002. E que, além de vencer a recondução para um segundo mandato, ainda logrou eleger sua sucessora. Ou seja, nosso personagem se surpreende com a notícia: mais de 10 anos de PT no poder!

"A antiga prática condenada do 'fisiologismo' passou a ser gentilmente qualificado de 'garantia da governabilidade'"


Mas aos poucos, à medida que vai se inteirando dos detalhes da política tupiniquim, a pessoa fica sabendo que a coisa é mais complicada do que parecia à primeira vista. A antiga prática condenada do “fisiologismo” passou a ser gentilmente qualificado de “garantia da governabilidade”. Percebe que figuras como José Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf, Delfim Netto, Kátia Abreu, Henrique Meirelles, Guilherme Afif, Gilberto Kassab, Blairo Maggi e tantos outros são ou foram entusiastas apoiadores dos governos ao longo desse período. Ou seja, todos aqueles personagens da vida política nacional que eram marcados pelo anti-petismo radical, passaram rapidamente a fazer parte da base de sustentação política e eleitoral do governo do PT.

Mudança de prioridade na agenda do governo.

Limites da Articulação



Não é intenção do artigo discutir aqui os limites da articulação parlamentar ou a necessidade de alianças para qualquer governo no nosso regime chamado de presidencialismo de coalizão.
O aspecto mais importante a reter é a forma como o governo se comporta frente aos representantes das classes e frações de classes sociais no que se refere ao atendimento de seus interesses no interior do aparelho de Estado. Há muito tempo que os projetos de transformação social foram sendo abandonados, em nome de uma suposta impossibilidade de fazer andar a roda da História. Restou uma agenda reduzida da pequena política para os chamados setores populares, destinada a fazer valer algumas solicitações de determinados grupos sociais que estariam na origem da base do governo. A busca por projetos que pudessem se caracterizar como mudanças derivadas da vitória eleitoral foi cautelosamente abandonada. O pragmatismo para evitar derrotas passou a ser a bússola que orienta a ação dos dirigentes políticos.

Ousadia


O fato é que o núcleo duro dos sucessivos governos deixou de ousar na formulação - e, principalmente, na implementação - dos elementos essenciais de políticas públicas alternativas ao ideário que sempre havia sido encaminhado pelo Estado brasileiro até então. O receio de buscar o novo levou à paralisia dos caminhos traçados na época da oposição e à frustração de amplos setores que não viram a transformação das propostas existentes em políticas de governo. O bordão da primeira campanha vitoriosa de Lula dizia que a sua eleição seria a prova de que “a esperança venceu o medo”. Mas, na direção contrária do desejo popular que ousou votar pela mudança, os governos recuaram. Muito provavelmente por estarem premidos pelo temor das conseqüências políticas de atos mais efetivos – processo, aliás, que está na base de qualquer processo que envolve um mínimo de elemento transformador. Ora - e já que Marx está em alta novamente - não custa lembrar que se trata tão somente da inescapável dinâmica da luta de classes. Simples assim: não há como fugir da contradição e do conflito de interesses.

Primeiros sinais na “Carta ao Povo Brasileiro”

As mensagens telegráficas e sub-reptícias já constavam da tristemente famosa “Carta ao Povo Brasileiro”, de julho de 2002, quando foram aventadas as primeiras manifestações de uma possível guinada programática a ser encaminhada após a vitória eleitoral. A nomeação dos responsáveis pela política econômica - Antonio Palocci e Henrique Meirelles - só veio a confirmar tal opção. A hegemonia da ortodoxia monetarista no comando da economia converteu-se na sinalização cristalina dirigida ao grande capital de que não havia nada a temer, pois nada seria mudado em termos da essência das diretrizes dos governos anteriores.

Hegemonia Financeira

E vejam que não se trata apenas da garantia de que os grandes conglomerados não seriam prejudicados. A estratégia implicava a continuidade da hegemonia dos interesses do setor financeiro no bloco dominante, em prejuízo das demais frações, em especial as vinculadas ao capital industrial e produtivo.

"Ocorre que a postura adotada no perigoso jogo de equilíbrio terminou por se caracterizar como uma verdadeira fase de submissão dos principais dirigentes políticos aos interesses do grande empresariado"

Daí em diante, o que se verificou foi uma sequência coerente e permanente de ações dos governos em busca de sua legitimação junto aos representantes do capital. Ocorre que a postura adotada no perigoso jogo de equilíbrio terminou por se caracterizar como uma verdadeira fase de submissão dos principais dirigentes políticos aos interesses do grande empresariado. Muito tem sido produzido e discutido a respeito do fenômeno qualificado como “lulismo”. Na verdade, trata-se justamente dessa capacidade de oferecer tudo ao capital, mas mantendo um discurso de convencimento político junto aos trabalhadores e a maioria da população pobre de nosso País. É óbvio, além disso, que as políticas de transferência como o programa Bolsa Família, os ganhos reais oferecidos ao salário mínimo e a ampliação dos benefícios previdenciários contribuíram para cimentar tal situação, aparentemente paradoxal. Mas tais melhorias ocorreram sem alteração na ordem anterior. Com isso, os governos conseguiram, na verdade, maior legitimidade para avançar na implementação da pauta empresarial.

Valores no orçamento refletem os setores mais beneficiados

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Políticas Sociais x Capital

Os valores do orçamento público destinados às políticas sociais são incomparavelmente diminutos quando comparados ao volume e à extensão dos favorecimentos e das benesses dirigidas ao capital. No caso das atividades agrícolas, por exemplo, os valores atribuídos ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA – reforma agrária e agricultura familiar) equivalem à metade dos recursos para os grandes proprietários, que são atendidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A educação superior privada conta com todo estímulo público por meio das bolsas concedidas às universidades privadas (PROUNI). No caso da saúde, o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) beneficia os planos de saúde privados e incentiva a transformação da gestão da rede pública por meio de mecanismos de privatização, como a concessão de hospitais e demais serviços para empresas e organizações sociais.


A política de rendição aos interesses do capital tem dominado a agenda do governo. Esse comportamento vem ainda antes da eclosão da crise internacional em 2008, na época em que prevalecia a tentativa de vender a imagem do bom mocismo e quando se aplicavam, de forma mais realista que o rei, as recomendações da ortodoxia do financismo. No momento atual, o governo aceita a chantagem do grande empresariado e se torna refém da baixa resposta que o setor privado está oferecendo aos novos investimentos necessários. Apesar de manter a políticas de distribuição de renda em favor dos mais pobres, sua dimensão e seus efeitos não são comparáveis aos ganhos proporcionados às empresas. 

Exemplos de opção pelo favorecimento do capital

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Base Popular

Se é verdade que os governos pós 2003 não podem ser classificados como neoliberais em sentido estrito, o fato é que não se utilizaram de sua base de ampla popularidade para promover mudanças mais efetivas. Os exemplos são inúmeros a refletir essa incapacidade de escapar da conhecida postura de submissão. Se partirmos da análise de que toda decisão política tem lado, o governo tem adotado de forma sistemática e unilateral a opção pelo lado do capital. Senão, vejamos alguns casos mais emblemáticos:


1. extensão paulatina e irresponsável da desoneração da folha de salários das empresas para inúmeros seto res. A contribuição previdenciária patronal passa a ter como fonte uma alíquota entre 1% e 2% a incidir sobre o faturamento das empresas. O novo modelo arrecada valores menores de receita e isso deverá provocar desajustes no futuro de uma previdência social atualmente equilibrada.


2. ampliação do regime de concessão para as atividades econômicas consideradas como de responsabilidade do Estado - os bens e serviços públicos. Os contratos para os diversos setores da infra-estrutura englobam rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia elétrica, saneamento, comunicações, exploração de petróleo, entre outros. As regras variam, mas em geral são condições de extremo favorecimento do capital, com prazos de 30 anos de exploração, recursos subsidiados do BNDES para os investimentos e nenhuma menção quanto a exigências de contrapartidas ou penalidades para o descumprimento das cláusulas. Na verdade, trata-se de uma ação do Estado criando um n ovo espaço de acumulação para essas empresas, onde fica assegurado o famoso modelo do “capitalismo sem risco”.


3. política explícita e louvada pelo governo de apoio ao agronegócio, com oferecimento de todos os tipos de facilidades para os grandes empreendedores do campo. Inexistência de políticas públicas para regulamentar o uso descontrolado de sementes e plantas transgênicas, o mesmo ocorrendo quanto ao uso indiscriminado e venenoso de agrotóxicos e fertilizantes. No que se refere à reforma agrária, observa-se uma contenção no ritmo de reconhecimento de novos assentamentos, com índices abaixo até dos governos de FHC.


4. inexistência de contrapartidas das grandes empresas em busca de recursos públicos e outras benesses junto ao Tesouro Nacional ou ao BNDES. Há inúmeros casos de empresas com “ficha suja” no quesito social e/ou ambiental - denúncias de trabalho escravo ou irregularidades junto ao IBAMA - que continuam a receber tais favorecimentos. O mesmo ocorre quanto aos compromissos de não demissão de trabalhadores, uso de componentes de fabricação nacional ou outros elementos de política pública considerada estratégica.


5. comprometimento de parcelas expressivas dos recursos do BNDES para estimular a formação das chamadas “gigantes brasileiras”, sem que o governo exija como contrapartida a sua participação nos conselhos diretivos desses novos megagrupos.


6. concessão de todo o tipo de facilidades às grandes empresas da construção civil, em especial essa autorização recente para permitir a elevação dos valores licitados de grandes obras em até 17% em relação aos preços previamente acordados.

Sentidos Desligados
 


Ao que tudo indica, o governo permanece com todos os seus sentidos desligados do mundo real, externo ao ambiente dos negócios. Tal postura opera bem em momentos de crescimento da economia, mas pode apresentar dificuldade quando houver sinalização contrária. As sucessivas tentativas e os equívocos cometidos já deveriam ter operado como alerta para uma mudança de conduta e de orientação. E vejam que nem se trata de optar por uma mudança radical na transformação da base de nosso modo capitalista de convivência social e econômica. O ponto é simplesmente o de ampliar o leque de alternativas a cada opção de política pública e não apenas continuar cedendo de forma constante e monotônica às demandas do capital. A sociedade brasileira é plural e há outras classes que merecem um tratamento também especial por parte de seus governantes. Uma atenção que vá muito além da simples distribuição das migalhas das políticas de transferência de renda e incorpore, de fato, a construção de um verdadeiro projeto de nação voltado para as necessidades da maioria de seu povo.



 Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

C O M U N I C A D O nº 327 /2013 - TJSP


Assunto: PREVCOM –adesão regime geral INSS

A Presidência do Tribunal de Justiça COMUNICA que, em face do Comunicado da SP PREVCOM – DOE de 11/5/2013(Seção I – pag 30), os servidores do Quadro do TSJP que se enquadram nas situações abaixo poderão aderir ao PLANO DE BENEFÍCIOS PREVCOM RG, como segue:

1) Podem se inscreverem no PLANO DE BENEFÍCIOS PREVCOM RG os servidores e empregados públicos estaduais em atividade que contribuem com o Regime Geral de Previdência Social (INSS), na
seguinte conformidade:
 - empregados públicos (concursados)
 - servidores ocupantes de cargos em comissão de livre nomeação e  exoneração que não sejam do Quadro do TJSP (efetivo ou função- atividade),
 - servidores função-atividade admitidos após a 01/6/2007, sob o  regime jurídico da Lei 500/74 com contribuição para o INSS, que  não tenham posteriormente tomado posse em cargo efetivo.

2) Os servidores que recebem remuneração acima do teto do INSS (atualmente R$ 4.159,00) e optarem pela adesão à previdência complementar terão a contrapartida paritária do patrocinador até o limite de 7,5% sobre a parcela do salário que ultrapassar o valor do referido teto.

3) Para os servidores com remuneração abaixo desse valor a adesão também é permitida, porém, não há contrapartida do patrocinador, uma vez que o Governo do Estado de São Paulo já contribui sobre o
valor até o teto para o INSS.

QUANTO A RETROATIVIDADE  (PRAZO IMPRORROGÁVEL): 

4) Os servidores interessados em retroagir os efeitos financeiros de suas contribuições ao regime de previdência complementar têm somente até o dia 23 DE MAIO DE 2013 para realizar a opção.

5) A retroatividade está disponível aos servidores e empregados públicos que contribuem com o INSS e aderirem ao plano de benefícios da PREVCOM.

6) As contribuições poderão retroagir até 23/12/2011, data da publicação da lei que instituiu o novo sistema previdenciário, ou à data de ingresso do participante no serviço público, se posterior.

7) As contribuições retroativas, assim como as normais, terão a contrapartida paritária do patrocinador até o limite de 7,5% sobre o salário de participação do servidor, ou seja, sobre o valor que EXCEDER ao teto do INSS.

COMO FUNCIONA A RETROATIVIDADE: 

8) O desconto ocorrerá de forma concomitante à contribuição normal;

9) A alíquota utilizada para cálculo da retroatividade será a mesma aplicada às contribuições normais;

10) O patrocinador acompanhará paritariamente as contribuições retroativas realizadas pelo servidor, sem prejuízo das contribuições normais;

11) As contribuições retroativas serão parceladas no mesmo número de meses que o servidor optar por retroagir;

12) Será observado o limite máximo de 18 meses ou 18 parcelas de contribuição retroativa, bem como à parcela referente ao 13º salário de 2012.

FORMULÁRIOS DE ADESÃO - RETROATIVIDADE 

13) Para solicitar a retroação o servidor deve preencher DOIS formulários: inscrição e retroatividade. Ambos estão disponíveis na área de formulários do Portal do Servidor ou no site do TJSP (guia servidor) e enviar o original à SPRH dentro do prazo, ou seja, até 23/5/2013.

Em razão do tempo exíguo, poderá o servidor também digitalizar os dois formulários, para garantir o prazo, e enviar para o endereço eletrônico srhtj@tjsp.jus.br.

Porém é obrigatório o envio do original dos dois formulários (se possível em duas vias), devidamente datado e assinado pelo servidor, por exigência da PREVCOM para a SPRH – Rua da Consolação, 1483 – São Paulo/SP.

Sem os originais a PREVCOM não irá registrar a adesão e a retroatividade.

Outras informações podem ser obtidas no site www.spprevcom.sp.gov.br .

PRAZO ATÉ 23/5/2013

Principais cargos que eventualmente podem ter interesse na adesão são aqueles admitidos sob o regime da LEI 500/74:
Assistentes Sociais Judiciários – categoria “L”
Psicólogos Judiciários - categoria “L”
Escreventes Técnicos Judiciários – categoria “L”
Contadores Judiciários – categoria “L”
Médico Judiciário – categoria “L”
Assistentes Jurídicos exclusivamente em comissão (não são do quadro efetivo) – categoria “C”

Disponibilização: Segunda-feira, 20 de Maio de 2013, Diário da Justiça Eletrônico - Caderno Administrativo, São Paulo, Ano VI - Edição 1418, p. 57-59.


Serra só não é uma ameaça à democracia porque não tem poder

A cantilena golpista de Lacerda mais uma vez na convenção tucana
A cantilena golpista de Lacerda mais uma vez na convenção tucana

Serra é hoje um Lacerda sem carisma e sem talento — graças a Deus.
 
O discurso de Serra na convenção do PSDB é uma mistura de obtusidade, má fé e cinismo.
Serra se transformou num Lacerda: fala obsessivamente em “riscos à democracia”, como se não fossem atitudes como a sua o maior risco à democracia.
Por ter carisma, por ser brilhante em sua maldade, e porque as circunstâncias eram outras, Lacerda levou o Brasil à ditadura militar.
Porque não tem carisma, e nem brilho, e por serem outras as circunstâncias, Serra apenas conduzirá a si próprio ao desprezo amplo, geral e irrestrito de brasileiros de boa fé – petistas ou não.
Lacerda, porque não conseguiu a presidência nas urnas, quis chegar a ela pelos tanques militares.
Serra também fracassou nas urnas, mesmo sob apoio maciço da imprensa que o PT “quer calar” – uma afirmação que apenas dificulta, malandramente, uma discussão vital para a sociedade: a regulamentação da mídia.
Temos uma situação de monopólio de três famílias, lideradas pelos Marinhos, e isso é uma calamidade para a democracia porque elas defendem seus próprios interesses disfarçados de interesses públicos.
Não fosse a internet, que dá espaço a outras vozes menos comprometidas e menos viciadas, o quadro seria ainda pior.
Importante notar que Serra vem sendo amplamente beneficiado pela mídia do jeito que é – e mesmo assim não conseguiu se eleger sequer prefeito de São Paulo.
O que é bom para Serra é ruim para o Brasil, porque ele põe na frente apenas aquilo que favorece a ele, a ele e ainda a ele.
Serra fala também em ‘aparelhamento’ do Estado, como se ele  próprio não aparelhasse tudo que caiu nas suas mãos.
Ora, por causa de Serra, a família de Soninha tem excelentes posições em São Paulo, sem concurso público, e ela própria foi brindada com a sinecura do Conselho de Administração da Cetesb – e ele vem falar em ‘aparelhar’?
Serra sempre usou sua posição pública para alavancar a carreira e os negócios de sua filha Verônica, e vem posar como se fosse Mujica?
Era presumível que, depois de ser rechaçado fortemente pelos eleitores, Serra se retirasse com dignidade da política.
Mas não.
Seu apego doentio ao poder impediu renovação no PSDB, obrigado por causa disso a tratar o veterano Aécio como se fosse uma promessa, um fato novo.
Seus gestos mesquinhos, sua fala hipócrita, sua megalomania napoleônica desprovida de fatos nos quais se sustentar sem cair no ridículo – lamentavelmente teremos que aguentar isso por mais tempo do que deveríamos e gostaríamos.
 
Paulo Nogueira

domingo, 19 de maio de 2013

Justiça de SP deverá gastar R$ 1,5 bi em novos prédios

 

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO 


O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori, decidiu assumir a figura de tocador de obras e iniciou processos licitatórios para construção de um conjunto de prédios para o Judiciário paulista no valor de R$ 1,5 bilhão.
O pacote inclui 36 novos fóruns em 25 municípios e um megaedifício jurídico na capital para abrigar 600 gabinetes de desembargadores e juízes da segunda instância.
O megaprédio da capital é o que mais chama a atenção. Em forma de "H", prevê três grandes torres de 24 andares, auditório com 738 lugares, heliponto e uma enorme cascata na parte frontal.
Orçado em R$ 500 milhões, terá 145 mil metros quadrados de área construída. Cada gabinete terá 66 metros quadrados. No TJ, o conjunto já é tratado como um dos maiores edifícios judiciários do mundo. O projeto é do escritório Botti Rubin Arquitetos.
Esse edifício será erguido entre as ruas Conde de Sarzedas e Tabatingüera, no centro, bem próximo ao tradicional Palácio da Justiça, prédio neoclássico que atualmente abriga a presidência do órgão.
As obras para sua construção só não começaram porque o projeto foi questionado na Justiça. Uma das empresas que queria fazer o projeto executivo entrou na Justiça reclamando que a vencedora da concorrência era a mesma que já havia feito o projeto básico da obra.
A disputa subiu até o Superior Tribunal de Justiça, que no final do ano passado julgou o caso e não viu ilegalidade na concorrência.
FÓRUNS
Já o pacote de 36 novos fóruns está estimado em R$ 1 bilhão. A intenção é colocar de pé 12 instalações forenses na capital e outras 24 no interior em cinco anos.
Ao falar do plano dos novos fóruns numa sessão recente do Órgão Especial do tribunal, Ivan Sartori deu uma dimensão do gigantismo do pacote: "Será a primeira obra do Brasil após aquelas grandes usinas e o Rodoanel".
Promover obras desse porte por conta própria é uma novidade no meio jurídico. Tradicionalmente, a construção de instalações judiciais no Estado é conduzida pelo Poder Executivo, principalmente a secretaria da Justiça.
Para essas obras, o Judiciário não deve recorrer ao Executivo. As construções serão bancadas pelo aumento recente expressivo da arrecadação do chamado Fundo Especial de Despesa do TJ.
COMISSÃO
A principal fonte de abastecimento desse fundo é um contrato que a corte assinou com o Banco do Brasil.
Pelo acordo, o TJ-SP recebe uma comissão da instituição financeira em troca da manutenção no BB das contas judicias que recebem valores depositados pelas partes nos milhares de processos que correm no tribunal
Segundo Ivan Sartori, esses depósitos judiciais no Banco do Brasil somam hoje R$ 35 bilhões. Só em 2012, esse contrato rendeu R$ 988 milhões ao TJ-SP.
Além da contrapartida do BB, o fundo também recebe dinheiro oriundo das taxas judiciais pagas pelas partes nas causas em curso. No ano passado, foram R$ 230 milhões. Outras fontes rendem valores menores.
Apesar do montante próprio para o inédito pacote de obras, a situação financeira do TJ-SP não pode ser considerada confortável. Faltam recursos para pagar salários.
Isso ocorre porque, segundo a legislação, as verbas do fundo só podem ser aplicadas em medidas e equipamentos para modernizar a estrutura do Judiciário.
Para arcar com a folha salarial, a direção do TJ-SP ainda precisa pedir socorro ao governo estadual.

Giannazi entrevista Vladimir Safatle na TV ALESP ... não perca


sábado, 18 de maio de 2013

O nó do desenvolvimento



Claudius
por Silvio Caccia Bava

Já no período Collor (1990-1992), o alinhamento com o neoliberalismo levou o governo a adotar políticas de favorecimento do grande capital, como a isenção de Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros, fortalecendo um modelo de crescimento que privilegia grandes empresas e corporações internacionais − uma política que aumentou a desigualdade social, concentrando ainda mais a riqueza no topo da pirâmide social. Seus efeitos perduram até hoje: menos de 10% da população brasileira fica com cerca de 50% da renda nacional.
Vários mecanismos foram utilizados desde então para reforçar políticas que beneficiam o grande capital, preservam privilégios e colocam o Brasil entre os países mais desiguais do planeta.
No início de seu primeiro governo, em 1995, Fernando Henrique Cardoso ofereceu uma cesta de bondades para os mais ricos: redução da alíquota do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) das instituições financeiras de 25% para 15%; redução do adicional do IRPJ de 12% e 18% para 10%; redução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de 30% para 8%, depois elevada para 9%; dedução dos juros sobre capital próprio, que permite às empresas pagar juros de mercado para seus acionistas sobre o capital detido por cada um, como se fossem empréstimos, reduzindo assim os impostos a pagar de 34% para 15%; redução da alíquota máxima do Imposto de Renda de Pessoas Físicas de 35% para 27,5%.
Em 1999, em pleno segundo mandato, FHC lançou o Pacote Fiscal 51, aumentando os tributos sobre o consumo, isto é, a tributação sobre os mais pobres. Como? Elevando em 50% a Cofins – de 2% para 3%; aumentando a base de incidência do PIS/Pasep e da Cofins; aumentando em 90% a CPMF, hoje extinta, de 0,20% para 0,38%, entre outras medidas.
O fato é que no início do Plano Real um trabalhador começava a pagar Imposto de Renda a partir de 10,48 salários mínimos; em 2005, a partir de 3,88 salários mínimos. Em 1996, as famílias com menos de dois salários mínimos gastavam 26% de sua renda para pagar impostos; em 2002, esse percentual chegou a 46%. Já para as famílias com renda superior a 30 salários mínimos, os índices eram de 7,3% em 1996, passando para 16% em 2002.2
A tributação sobre o consumo representa hoje mais de 50% da carga tributária bruta; a tributação sobre a renda, 20,5%; a tributação sobre a propriedade, apenas 3,3%. Em nenhum país do mundo com o qual o Brasil possa se comparar o Imposto de Renda é tão favorável aos mais ricos: nossa maior alíquota é de 27,5%, e a França acaba de aprovar em seu Parlamento o limite máximo de 66,6%. Essas políticas tributárias permanecem intocadas até hoje.
Se a arrecadação dos tributos mostra uma sociedade profundamente desigual, o gasto público não faz mais do que reforçar isso. Em 2010, o total dos impostos arrecadados pelo governo correspondeu a 33,56% do PIB. Vejamos a quem se destinam esses recursos.
Em 2011, o governo gastou R$ 708 bilhões, ou 45,05% dos impostos arrecadados, com o pagamento dos juros e amortizações da dívida pública. Os credores são bancos nacionais e estrangeiros (55%), fundos de investimento (21%), fundos de pensão (16%) e empresas não financeiras (8%). Em 2012, se comparados os quatro primeiros meses com o gasto no mesmo período em 2011, mesmo com a redução da taxa Selic, o volume de recursos destinados a pagar essa conta aumentou 40%, chegando a R$ 369,2 bilhões. É um cenário preocupante, já que nesse mesmo ano foram destinados, do Orçamento Geral da União, 2,99% para a educação, 4,07% para a saúde e 2,85% para a assistência social.
Nossa Constituição, em seu artigo 166, assegura que a prioridade na execução orçamentária é o pagamento da dívida, e, quando forem necessários cortes no orçamento para cumprir essa prioridade, eles se aplicarão a outras rubricas, por exemplo, nas políticas sociais. Com a mesma lógica, a Lei de Responsabilidade Fiscal só limita os gastos e investimentos sociais, dando liberdade total para o aumento dos juros e o custeio da política monetária.
Somando os estoques da dívida interna (R$ 2,637 trilhões) com a dívida externa (R$ 788 bilhões), o Brasil tem uma dívida bruta acumulada que corresponde a 78% do PIB, base de cálculo para a remuneração dos rentistas atuantes no setor financeiro, que se estima sejam 22 mil famílias ampliadas e grandes bancos e corporações, em sua maioria estrangeiros.3
Vale ressaltar que as tentativas de fazer uma auditoria da dívida foram barradas pelo Senado em 1992, apesar das evidências de flagrantes ilegalidades e questionamentos sobre a composição da dívida. Por iniciativa da sociedade civil, no ano 2000 foi realizado o Plebiscito da Dívida. Na ocasião, votaram 6 milhões de brasileiros, que propuseram o não pagamento da dívida pública enquanto não fosse realizada a auditoria prevista na Constituição Federal de 1988. De lá para cá, só estamos pagando mais para os rentistas.


Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil


1 Este artigo se apoia num excelente livro recém-publicado: Antonio David Cattani e Marcelo Ramos Oliveira (orgs.), A sociedade justa e seus inimigos, Tomo Editorial, Porto Alegre, 2012.
2 Fátima Gondim Farias e Marcelo Lettieri Siqueira, “Bases tributárias brasileiras – Penalizando os pobres e beneficiando os rentistas”. In: Antonio David Cattani e Marcelo Ramos Oliveira (orgs.), op. cit.
3 Maria Lucia Fatorelli, “Bolsa Rico”. In Antonio David Cattani e Marcelo Ramos Oliveira (orgs.), op. cit.