Trecho de reportagem de Hudson Corrêa, na revista "Época" desta semana, que revela gravações da Operação Pasárgada, deflagrada pela Polícia Federal em 2008 para desbaratar um esquema de venda de sentenças, pilotado por magistrados federais em Minas Gerais, que permitia a liberação irregular de repasses do Fundo de Participação dos Municípios. O relato e os diálogos a seguir envolvem Francisco de Assis Betti (foto), afastado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e Welinton Militão dos Santos, afastado da 12ª Vara Federal de Belo Horizonte.
A ideia era amaciar os corregedores fingindo que Militão teria prestígio na Presidência da República. Além da demonstração de força que uma reunião com um ministro do então presidente, Lula, poderia representar, Betti e Militão planejavam levar, se recebidos, um pedido a Dulci. Eles solicitariam o apoio do governo para a criação de um Tribunal Regional Federal com sede em Minas Gerais, um pleito antigo da magistratura mineira. Betti sonhava alto: se o Tribunal viesse, ele seria presidente por ser o desembargador mais antigo de Minas. “O que eu tô feliz é o seguinte: é que você deu uma arrancada. Se alguém precisar ir ao Tribunal, não poderá ficar te perseguindo”, disse o desembargador a Militão. “Mas olha! O amigo, além de forte, é diplomata, viu?”, disse o juiz. “Não. Eu vou te contar, eu sou bandido. Aqui, meu filho, está falando Chico Betti bandido. Eu não tô nem preocupado com Tribunal, não! Eu tô preocupado é com as suas causas.”
As causas em questão, segundo o MPF, eram as vendas de sentenças judiciais.
Fonte - folha.com - blog do Fred
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